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Título: O Gozo além do princípio do prazer e aquém da lei do significante e da função α, ou a «falha» na subjetivação de um desejo inefável
Autores: Farate, Carlos
Palavras-chave: Gozo - Jouissance
Objeto - Object
Ordem simbólica - Symbolic order
Tela β - β-screen
Função α - α-function
Subjetivação - Subjectivation
Data: 8-mar-2019
Resumo: A qualidade do investimento fálico da cadeia de significantes é o analisador da capacidade de o sujeito psíquico — que Lacan designa de sujeito de palavra — construir uma identidade social coerente. Por aí, é todo o «edifício» da construção metonímica do inconsciente, locus de uma libido regida pela Lei do desejo de um Outro indiscernível, que é posto à prova. Mais precisamente, a capacidade do ego de transformar a «letra», o objeto (a) causa de excitação desmedida e irrepresentável, em objeto a acessível à subjetivação. Ora, esta colocação lacaniana do gozo como expressão de uma circularidade compulsiva em que excesso de prazer e sofrimento «nutrem» uma pulsão de morte que mantém o sintoma e destrói a cultura encontra na noção de tela β, proposta por Meltzer na esteira de Bion, uma dialética assaz interessante. Com efeito, tal como a perversão da libido objetal agida pelo objeto (a) decorre da falência da ordem simbólica em sublimar o desejo do Outro pelo recurso à linguagem, também a perversão operada pela tela β no processamento psíquico da experiência emocional do sujeito resulta da falência da função α em subjetivar os elementos sensório-emocionais primitivos, formalmente impensáveis, inscritos no psyche-soma desde o início da existência. É uma tal dialética que subjaz a este ensaio de reflexão crítica acerca da relevância do conceito de Gozo para pensar o sofrimento do Homem contemporâneo. / The quality of the phallic investment of the chain of signifiers is the analyzer of the capacity of the psychic subject, which Lacan designates as the subject of speech, in constructing a coherent social identity. This is the whole "building" of the metonymic construction of the unconscious, the locus of a libido ruled by the Law of Desire for an indiscernible Other, which is put to the test. More precisely, the capacity of the ego to transform the "letter", the object (a) as a source of excessive and unrepresentable excitement, into an object accessible to subjectivation. Now this Lacanian placement of jouissance as an expression of a compulsive circularity in which excess of pleasure and suffering "nourish" a "death drive" that maintains the "sinthome" and destroys culture, finds in the notion of β-screen, proposed by Meltzer in the wake of Bion, a very interesting dialectics. Just as the perversion of the object libido acted upon by object (a) stems from the failure of the symbolic order to sublimate the Other's desire for language, so the perversion operated by the β-screen in the psychic processing of the subject's emotional experience results from the failure of the function α in subjectivizing the primitive sensory-emotional elements, formally unthinkable, inscribed in the psyche-soma from the beginning of existence. It is such a dialectics that underlies this essay of critical reflection on the relevance of the concept of jouissance to think the suffering of the contemporary human being.
URI: http://repositorio.ismt.pt/jspui/handle/123456789/1007
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