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Título: Trauma, Autoaversão e Ingestão Alimentar Compulsiva
Autores: Soares, Sandra Patrícia Simões
Marques, Mariana (Orientadora)
Palavras-chave: Experiências traumáticas - Traumatic events
Autoaversão - Self-disgust
Ingestão alimentar compulsiva - Binge eating
Data: 2017
Editora: ISMT
Resumo: Introdução: A perturbação de ingestão alimentar compulsiva é finalmente reconhecida no atual Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-5, APA, 2014) como uma entidade clínica e vários estudos referem que deve ser encarada como um problema de saúde pública. Estudos internacionais e nacionais exploraram diferentes correlatos dos sintomas de ingestão alimentar compulsiva (IAC), mas importa avaliar outras variáveis na sua determinação, na população geral. Assim, o principal objetivo deste estudo é explorar a associação e o papel preditivo das experiências traumáticas (áreas: emocional, física e sexual) e da autoaversão (suas diferentes dimensões) com os/nos sintomas de IAC, explorando, também, o eventual papel de mediação da autoaversão na relação entre experiências traumáticas e aqueles sintomas. Metodologia: 421 sujeitos da população geral e estudantes universitários (mulheres, n = 300, 71,3%) preencheram a Traumatic Events Checklist (TEC; avalia diferentes áreas de experiência traumática), a Binge Eating Scale/Lista de Hábitos Alimentares (BES/LHA; avalia sintomas de IAC) e a Escala Multidimensional de Autoaversão (EMAV; avalia diferentes dimensões de autoaversão). Resultados: Encontraram-se valores de IAC similares aos de estudos nacionais: gravidade ligeira a moderada (total: 5,9%; mulheres: 6,3%; homens: 5,0%) e grave (total: 2,6%; mulheres: 3,3%; homens: 0,8%). Nos homens, a pontuação total de IAC associou-se positivamente à ativação defensiva, cognitivo-emocional e evitamento (autoaversão). O índice de massa corporal (IMC) associou-se positivamente à pontuação total de IAC e ativação defensiva (autoaversão) e negativamente ao trauma familiar. Nas mulheres, a pontuação total de IAC associou-se positivamente a todas as dimensões de autoaversão. O trauma sexual, familiar, total de experiências traumáticas e IMC associaram-se positivamente à pontuação total de IAC e todas as dimensões de autoaversão. O IMC, total de experiências traumáticas e a dimensão cognitivo-emocional da autoaversão foram os preditores da pontuação total de IAC. A dimensão cognitivo-emocional da autoaversão mediou totalmente a relação entre o total de experiências traumáticas e a pontuação total de IAC. Discussão: Numa amostra da população geral e estudantes universitários, verificaram-se valores de IAC semelhantes aos de estudos nacionais. Nas mulheres, o trauma sexual, familiar e total de experiências traumáticas (e todas as dimensões de autoaversão) associaram-se à IAC. Um IMC mais elevado associou-se a níveis superiores de IAC. Em intervenções futuras face a comportamentos alimentares compulsivos, em mulheres, parece fulcral considerar o papel da autoaversão cognitivoemocional na relação entre aqueles comportamentos e a ocorrência distal de acontecimentos traumáticos. / Introduction: Binge eating disorder is finally recognized in the current Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5, APA, 2014) as a clinical entity and several studies refer that it should be viewed as a public health problem. International and national studies have explored different correlates of binge eating symptoms, but it is important to evaluate the role of other variables in the determination of these symptoms in the general population. Thus, the main objective of this study is to explore the association and predictive role of traumatic experiences (emotional, physical and sexual) and of self-disgust (it´s different dimensions) with/in the symptoms of binge eating, exploring, also, the possible mediation role of self-disgust in the relation between traumatic experiences and those symptoms. Methodology: 421 subjects from the general population and college students (women, n = 300, 71.3%) completed the Traumatic Events Checklist (TEC; evaluates different areas of traumatic experience), the Binge Eating Scale/List of Eating Habits (BES/LHA; evaluates binge eating symptoms) and the Multidimensional Self-disgust Scale (EMAV; evaluates different self-disgust dimensions). Results: We found values of binge eating (BE) similar to those from other national studies: mild to moderate BE (total: 5,9%; women: 6,3%; men: 5,0%) and severe BE (total: 2,6%; women: 3,3%; men: 0,8%). In men, CBE total score positively correlated with defensive ativation, cognitive-emotional and avoidance dimensions (self-disgust). Body mass index (BMI) positively correlated with BE total score and defensive ativation (self-disgust) and negatively with family trauma. In women, BE total score positively associated with all self-disgust dimensions. Sexual trauma, family trauma, total of traumatic events and BMI positively associated with BE total score and all the self-disgust dimensions. In a hierarchical multiple regression analysis, BMI, total of traumatic events and the cognitive-emotional of self-disgust were predictors of BE total score. The cognitive-emotional dimension of self-disgust mediated totally the relation between traumatic events and BE total score. Discussion: In a sample from the general population and college students, there were BE values similar to the values from other national studies. In the women, sexual trauma, family trauma and total traumatic experiences (and all the self-disgust dimensions) associated with BE. A higher BMI was associated with higher levels of BE. In future interventions, it seems essential, while focusing on binge eating, in women, to consider the role of cognitive-emotional disgust in the relation between those behaviors and the distal occurrence of traumatic events.
URI: http://repositorio.ismt.pt/handle/123456789/764
Aparece nas colecções:Dissertações de Mestrado Psicologia

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