Publicações Científicas de Psicologia

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    Satisfação Acadêmica e Procrastinação Acadêmica em Universitários Brasileiros: papel mediador dos motivos para procrastinar
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-29) Rosa, Calebe Mattos Garcia da; Cabral, João Carlos Centurion; Veleda, Gessyka Wanglon; Neiva-Silva, Lucas
    Contexto: A procrastinação acadêmica é um padrão de adiamento não estratégico de tarefas acadêmicas, frequentemente associado a menor autorregulação e pior adaptação ao ensino superior. Objetivo: Examinar a associação entre satisfação acadêmica e procrastinação acadêmica, bem como o papel mediador das motivações para procrastinar, em estudantes de graduação e pós graduação. Método: Participaram 1.137 estudantes brasileiros (81% de graduação; 19% de pós-graduação), que responderam a um levantamento online composto pelo Inventário Breve de Procrastinação Acadêmica, pela Escala de Motivos da Procrastinação Acadêmica e pela Escala de Satisfação com a Vida Acadêmica. As associações foram examinadas por modelos de regressão e mediação. Resultados: A satisfação acadêmica associou-se significativamente à procrastinação acadêmica, explicando aproximadamente 14% da variância em estudantes de graduação e 19% em estudantes de pós-graduação. As motivações para procrastinar — particularmente ansiedade, preguiça, percepção de incapacidade, cansaço e perfeccionismo — atuaram como mediadores estatísticos parciais dessa associação, embora uma parte expressiva da associação tenha permanecido direta. Conclusões: Os achados sugerem que a satisfação acadêmica e as motivações para procrastinar constituem dimensões relevantes para compreender a procrastinação no ensino superior. Estratégias institucionais orientadas para a melhoria da experiência acadêmica e para a autorregulação das tarefas poderão contribuir para reduzir tendências procrastinatórias em estudantes de graduação e pós-graduação. | Background: Academic procrastination is a pattern of non-strategic task postponement associated with lower self-regulation and poorer adjustment to higher education. Objective: To examine the association between academic satisfaction and academic procrastination, as well as the mediating role of procrastination motives, in undergraduate and graduate students. Method: A total of 1,137 Brazilian students participated (81% undergraduate; 19% graduate) in an online survey comprising the Brief Inventory of Academic Procrastination, the Academic Procrastination Motives Scale, and the Academic Life Satisfaction Scale. Associations were examined using regression and mediation models. Results: Academic satisfaction was significantly associated with academic procrastination, accounting for approximately 14% of its variance among undergraduate students and 19% among graduate students. Procrastination motives—particularly anxiety, laziness, perceived inability, fatigue, and perfectionism—partially mediated this association, although a substantial proportion of the association remained direct. Conclusions: The findings suggest that academic satisfaction and procrastination motives are relevant dimensions for understanding procrastination in higher education. Institutional strategies aimed at improving the academic experience and fostering task self-regulation may contribute to reducing procrastinatory tendencies among undergraduate and graduate students.
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    Preditores Psicossociais e Sociodemográficos da Autoestima em Homens que Fazem Sexo com Homens: um estudo transversal em Porto Alegre, Brasil
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-27) Rocha, Kátia Bones; Hamman, Cristiano; Pizzinato, Adolfo
    Contexto e Objetivo: O presente estudo transversal teve como objetivo examinar a associação entre autoestima e indicadores psicossociais — saúde mental, apoio social autopercebido e clima familiar — em homens que fazem sexo com homens (HSH). Método: Participaram 246 homens adultos (Midade = 27,78; DP = 8,23; amplitude 18–60 anos), recrutados por amostragem de conveniência em um Centro de Testagem e Aconselhamento em Porto Alegre, Brasil, no contexto da testagem rápida de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Os participantes responderam à Escala de Autoestima de Rosenberg, ao Questionário Geral de Saúde de Goldberg (GHQ-12), à Escala de Apoio Social do Medical Outcomes Study (MOS-SSS) e ao Inventário do Clima Familiar (ICF). Foram realizadas análises descritivas, correlações de Spearman e regressão linear múltipla. Resultados: O modelo de regressão explicou 50,3% da variância da autoestima. Pontuações mais elevadas no GHQ-12, indicativas de pior saúde mental, associaram-se a menor autoestima (β = −0,58; p < 0,001), enquanto maior apoio social emocional (β = 0,20; p < 0,001), maior idade (β = 0,13; p = 0,018) e mais escolaridade (β = 0,13; p = 0,018) se associaram a maior autoestima. Conclusões: Os achados destacam a relevância da saúde mental e do apoio social emocional enquanto recursos psicossociais associados à autoestima em HSH e sustentam o desenvolvimento de intervenções psicossociais que promovam redes de suporte afetivo e emocional, com particular atenção aos homens mais jovens. | Background and Objective: The present cross-sectional study aimed to examine the association between self-esteem and psychosocial indicators — mental health, perceived social support, and family climate — among men who have sex with men (MSM). Method: A total of 246 adult men (Mage = 27.78; SD = 8.23; range: 18–60 years) were recruited by convenience sampling at a Counseling and Testing Center in Porto Alegre, Brazil, in the context of rapid testing for HIV and other sexually transmitted infections. Participants completed the Rosenberg Self-Esteem Scale, the General Health Questionnaire (GHQ-12), the Medical Outcomes Study Social Support Survey (MOS-SSS), and the Family Climate Inventory (FCI). Descriptive analyses, Spearman correlations, and multiple linear regression were conducted. Results: The regression model accounted for 50.3% of the variance in self-esteem. Higher GHQ12 scores, indicative of poorer mental health, were associated with lower self-esteem (β = −.58, p < .001), whereas higher emotional social support (β = .20, p < .001), older age (β = .13, p = .018), and higher educational attainment (β = .13, p = .018) were associated with higher self-esteem. Conclusions: Findings underscore the relevance of mental health and emotional social support as psychosocial resources associated with self-esteem among MSM and support the development of psychosocial interventions that strengthen affective and emotional support networks, with particular attention to younger men.
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    Child Temperament Profiles and Maternal Parenting Practices in Brazilian Mother Child Dyads: a cluster-analytic study with children aged 3 to 11 years
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-27) Reis, Henrique Lima; Lunkes, Stefany; Gama, Marina de Carvalho; Coltro, Beatriz Pires; Paraventi, Larissa; Souza, Carolina Duarte de; Vieira, Mauro Luis
    Background and Aim: Child temperament and parenting are reciprocally linked, yet evidence from Brazilian and Latin American contexts remains limited. This study examined associations between maternal parenting practices and child temperament in Brazilian families with children aged 3 to 11 years. Method: This quantitative, cross-sectional study used a comparative and person-centered analytic approach. A total of 229 mothers completed questionnaires assessing parenting dimensions (Coregulation, Positive Reinforcement Discipline, and Coercion) and child temperament (Surgency/Extraversion, Negative Affectivity, and Effortful Control). Hierarchical cluster analysis was used to derive temperament profiles. Results: No statistically significant sex differences emerged for temperament or maternal parenting dimensions. Hierarchical cluster analysis identified four temperament profiles. Maternal Coregulation and Positive Reinforcement Discipline did not differ significantly across profiles. In contrast, maternal Coercion differed significantly, with a small effect size; the highest Coercion scores occurred in the profile characterized by elevated Negative Affectivity and elevated Effortful Control. Conclusions: The findings are consistent with a transactional, profile-based interpretation of temperament–parenting associations and suggest that specific temperament configurations may be more informative for understanding coercive than supportive maternal practices. The results may inform culturally sensitive and developmentally differentiated parenting interventions in Brazilian contexts. | Contexto e Objetivo: O temperamento infantil e a parentalidade estão reciprocamente vinculados; no entanto, as evidências provenientes dos contextos brasileiro e latino-americano ainda são limitadas. Este estudo examinou associações entre práticas parentais maternas e temperamento infantil em famílias brasileiras com crianças de 3 a 11 anos. Método: Este estudo quantitativo e transversal utilizou uma abordagem analítica comparativa e centrada na pessoa. Ao todo, 229 mães responderam a questionários que avaliaram dimensões das práticas parentais (Corregulação, Disciplina por Reforço Positivo e Coerção) e do temperamento infantil (Surgência/Extroversão, Afetividade Negativa e Controle com Esforço). A análise hierárquica de clusters foi utilizada para derivar perfis de temperamento. Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em função do sexo nas dimensões do temperamento ou das práticas parentais maternas. A análise hierárquica de clusters identificou quatro perfis de temperamento. A Corregulação e a Disciplina por Reforço Positivo maternas não diferiram significativamente entre os perfis. Em contraste, a Coerção materna diferiu significativamente, com tamanho de efeito pequeno; os escores mais elevados de Coerção ocorreram no perfil caracterizado por Afetividade Negativa elevada e Controle com Esforço elevado. Conclusões: Os achados são consistentes com uma interpretação transacional e baseada em perfis das associações entre temperamento e parentalidade, e sugerem que configurações específicas de temperamento podem ser mais informativas para compreender práticas maternas coercitivas do que práticas maternas de suporte. Os resultados podem subsidiar intervenções parentais culturalmente sensíveis e diferenciadas em termos desenvolvimentais nos contextos brasileiros.
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    LGBTQIA+ Inclusive Workplace Climate in Portugal: sexual minorities employees’ perspectives
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2025-11-30) Teixeira, Iara; Alckmin-Carvalho, Felipe; Pereira, Henrique
    Background: Despite growing efforts to promote workplace diversity, many LGBTQIA+ employees still face discrimination, exclusion, and challenges in fully expressing their identities at work. The literature indicates that perceptions of inclusive organizational climate are closely linked to LGBTQIA+ employees’ well-being, job satisfaction, and engagement. Objective: To examine perceptions of LGBTQIA+ inclusive organizational climate among cisgender sexual minority workers in Portugal, and to test their associations with self-reported workplace discrimination. Method: Seventy-nine cisgender, non-heterosexual participants (Mage 31.59, SD = 10.13) completed a questionnaire assessing LGBT–inclusive workplace climate and a sociodemographic questionnaire in a cross-sectional online survey. Data were analyzed using descriptive statistics, Spearman’s rank-order correlations, Mann–Whitney U tests, hierarchical regression, and regression-based moderation analyses. Results: Respondents indicated that their organizations often had formal LGBTQIA+ inclusion policies, but these were often perceived as only partially or inconsistently implemented. Participants reported experiences of discrimination, with women perceiving less discrimination and indicating greater openness about their identities. Perceived supervisor and coworker support were strongly associated with a less discriminatory climate, and identity disclosure/outness was positively associated with perceptions of an inclusive workplace climate. The moderation analysis indicated that the interaction between supervisor support and disclosure was not significant; instead, supervisor support predicted lower discrimination consistently across all levels of disclosure. Conclusions: These findings underscore the critical role of both organizational culture and support mechanisms in fostering an inclusive climate for LGBTQIA+ individuals in the workplace. | Contexto: Apesar dos esforços crescentes para promover a diversidade no local de trabalho, muitos trabalhadores LGBTQIA+ continuam a enfrentar discriminação, exclusão e dificuldade em expressar plenamente as suas identidades no contexto laboral. A literatura indica que as perceções de um clima organizacional inclusivo estão estreitamente associadas ao bem-estar, satisfação profissional e envolvimento das pessoas LGBTQIA+ no trabalho. Objetivo: Examinar as perceções do clima organizacional inclusivo para pessoas LGBTQIA+ entre trabalhadores cisgénero pertencentes a minorias sexuais em Portugal e testar as suas associações com a discriminação autorrelatada. Métodos: Setenta e nove participantes cisgénero não heterossexuais (Midade 31,59, DP = 10,13) completaram um questionário de avaliação do clima organizacional inclusivo para pessoas LGBT e um questionário sociodemográfico, num inquérito online de natureza transversal. Os dados foram analisados recorrendo a estatísticas descritivas, correlações de postos de Spearman, teste U de Mann-Whitney, regressão hierárquica e análise de moderação baseada na regressão. Resultados: Os participantes indicaram que as suas organizações dispunham frequentemente de políticas formais de inclusão LGBTQIA+, embora estas fossem muitas vezes percecionadas como apenas parcialmente ou de forma inconsistente implementadas. Foram reportadas experiências de discriminação, sendo que as mulheres percecionaram menos discriminação e indicaram maior abertura relativamente às suas identidades. O suporte percecionado por parte de supervisores e colegas associou-se fortemente a um clima menos discriminatório, e a divulgação/assunção da identidade (outness) associou-se positivamente a perceções de um clima organizacional inclusivo. A análise de moderação indicou que a interação entre suporte do supervisor e divulgação não foi significativa; em vez disso, o suporte do supervisor previu níveis mais baixos de discriminação de forma consistente em todos os níveis de divulgação. Conclusões: Esses resultados destacam o papel crítico da cultura organizacional e dos mecanismos de suporte na promoção de um clima inclusivo para indivíduos LGBTQIA+ no contexto laboral.
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    Propriedades Psicométricas da Versão Portuguesa do European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) em Estudantes de Enfermagem
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-21) Monteiro, Patrícia; Rodrigues, Mariana; Rosa, Amorim; Loureiro, Luís Manuel
    Contexto: A literacia em saúde constitui um determinante social de saúde e uma prioridade de saúde pública, exigindo uma mensuração credível, rigorosa e adequada aos contextos. Objetivo: Avaliar as propriedades psicométricas — validade estrutural, fiabilidade, validade convergente e validade discriminante — da versão portuguesa do European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) numa amostra de estudantes de enfermagem. Métodos: Realizou-se um estudo metodológico com uma amostra de 476 estudantes de licenciatura em Enfermagem de uma instituição de ensino superior da região Centro de Portugal continental. Os dados foram recolhidos presencialmente, em sala de aula, através da plataforma Google Forms, após consentimento informado eletrónico. Resultados: A análise fatorial exploratória revelou uma solução de três fatores que difere da estrutura teórica original, sugerindo uma reconfiguração empírica dos domínios da literacia em saúde nesta amostra. As análises fatoriais confirmatórias indicaram que os modelos de três fatores correlacionados (de derivação teórica e empírica) apresentaram ajustamento superior ao do modelo unifatorial. Todos os modelos evidenciaram fiabilidade muito satisfatória. A validade convergente revelou-se a principal fragilidade, ao passo que a validade discriminante, avaliada pelo critério HTMT, foi satisfatória em ambos os modelos de três fatores. Conclusões: Os resultados sustentam a multidimensionalidade da literacia em saúde, com os modelos de três fatores a apresentarem melhor ajustamento do que o modelo unifatorial. No contexto do ensino superior português, as dimensões da literacia em saúde parecem evidenciar forte integração funcional e conceptual, sem comprometer a distinção empírica dos seus construtos. | Context: Health literacy is a social determinant of health and a public health priority, requiring credible, rigorous, and context appropriate measurement. Objective: To examine the psychometric properties — structural validity, reliability, convergent validity, and discriminant validity — of the Portuguese version of the European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) in a sample of nursing students. Method: A methodological study was conducted with 476 undergraduate nursing students from a higher education institution in the central region of mainland Portugal. Data were collected in person in classrooms using Google Forms, with electronic informed consent. Results: Exploratory factor analysis yielded a three-factor solution that diverged from the original theoretical structure, suggesting an empirical reconfiguration of the health literacy domains in this sample. Confirmatory factor analyses indicated that the correlated three-factor models (both theoretically and empirically derived) provided a superior fit to the data relative to the unifactorial model. All models displayed highly satisfactory reliability. Convergent validity emerged as the main psychometric weakness, whereas discriminant validity, assessed through the HTMT criterion, was satisfactory in both three-factor models. Conclusions: The findings support the multidimensionality of health literacy, with the three-factor models outperforming the unifactorial model. In the Portuguese higher education context, the dimensions of health literacy appear to display strong functional and conceptual integration without compromising the empirical independence of the underlying constructs.