Preditores da Autoestima e do Bem-Estar Psicológico em Adolescentes Portugueses

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Data
2025
Autores
Vicente, Margarida Simões Filipe
Lopes, João Borges (Orientador)
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Editora
ISMT
Resumo
Introdução: A adolescência é um período crítico para o desenvolvimento psicológico, sendo a autoestima e o bem-estar psicológico fatores centrais no ajustamento juvenil. A literatura tem demonstrado que a autoestima se relaciona com sintomas emocionais, competências relacionais e hábitos de vida, desempenhando um papel mediador na saúde mental. Contudo, ainda são escassos os estudos em adolescentes portugueses fora do contexto escolar, o que reforça a pertinência de analisar estes fatores neste grupo. Objetivos: (1) Contribuir para o estudo preditivo da autoestima e do bem-estar psicológico em adolescentes portugueses e sua relação com as variáveis da inteligência emocional, hábitos de vida (e.g., sono, alimentação e atividade física) e estados emocionais negativos (e.g., ansiedade, stresse e depressão), em ambiente externo ao contexto escolar; (2) Identificar os principais preditores da autoestima e do bem-estar psicológico, no grupo de adolescentes estudado; (3) Investigar os principais preditores da autoestima e do bem-estar psicológico em adolescentes portugueses, em contexto não escolar. Métodos: A amostra foi composta por 100 adolescentes (57% do sexo feminino e 43% do sexo masculino), com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos. Os participantes preencheram presencialmente instrumentos de autorresposta que avaliaram: a autoestima (Escala de Autoestima de Rosenberg), o bem-estar psicológico (Escala do Bem-Estar Psicológico de Ryff), a inteligência emocional (Escala de Inteligência Emocional de Schutte, incluindo a secção II – PECRE, que mede a perceção de competências relacionais e emocionais, e a secção III – EMACRI, que avalia estratégias de atribuição de significado e regulação emocional), a sintomatologia emocional (Escala de Depressão, Ansiedade e Stresse), bem como medidas complementares relativas a hábitos de sono, alimentação, atividade física e utilização de redes sociais. Resultados: As análises estatísticas revelaram associações negativas entre autoestima e depressão (ρ = –0,510, p < 0,001), ansiedade (ρ = –0,493, p < 0,001) e stresse (ρ = –0,427, p < 0,001), e uma associação positiva com competências relacionais (ρ = 0,252, p = 0,014). A correlação entre autoestima e bem-estar psicológico global foi positiva, mas marginalmente significativa (ρ = 0,211, p = 0,053). A regressão múltipla indicou que as competências relacionais e as estratégias de regulação emocional previram a autoestima, enquanto esta se destacou como único preditor significativo do bem-estar psicológico (β = 0,324, p = 0,005). Conclusão: Os dados obtidos evidenciam o papel central da autoestima no ajustamento dos adolescentes, sugerindo que o reforço das competências relacionais pode constituir uma via relevante para a promoção da saúde mental. Este estudo aprofunda a compreensão das interações entre fatores emocionais, relacionais e comportamentais na adolescência, oferecendo pistas úteis para futuras investigações e intervenções. | Introduction: Adolescence is a critical period for psychological development, with self-esteem and psychological well-being being central factors in youth adjustment. Previous research has shown that self-esteem is associated with emotional symptoms, relational skills, and lifestyle habits, playing a mediating role in mental health. However, studies with Portuguese adolescents outside the school context remain scarce, highlighting the relevance of analyzing these factors in this group. Objectives: (1) To contribute to the predictive study of self-esteem and psychological well being in Portuguese adolescents and their relationship with emotional intelligence, lifestyle habits (e.g., sleep, diet, and physical activity), and negative emotional states (e.g., anxiety, stress, and depression), in a non-school context; (2) To identify the main predictors of self-esteem and psychological well-being in the studied group of adolescents; (3) To investigate the key predictors of self-esteem and psychological well-being in Portuguese adolescents outside the school setting. Methods: The sample consisted of 100 adolescents (57% female and 43% male), aged between 13 and 17 years. Participants completed self-report instruments that assessed: self-esteem (Rosenberg Self-Esteem Scale), psychological well-being (Ryff’s Psychological Well-Being Scale), emotional intelligence (Schutte Self-Report Emotional Intelligence Scale, including section II – PECRE, which measures the perception of relational and emotional competences, and section III – EMACRI, which assesses meaning attribution strategies and emotional regulation), emotional symptoms (Depression, Anxiety and Stress Scale), as well as complementary measures regarding sleep habits, physical activity, diet, and social media use. Results: Statistical analyses revealed negative associations between self-esteem and depression (ρ = –0.510, p < 0.001), anxiety (ρ = –0.493, p < 0.001), and stress (ρ = –0.427, p < 0.001), and a positive association with relational competences (ρ = 0.252, p = 0.014). The correlation between self-esteem and global psychological well-being was positive but marginally significant (ρ = 0.211, p = 0.053). Multiple regression analysis indicated that relational competences and emotional regulation strategies predicted self-esteem, while self-esteem emerged as the only significant predictor of psychological well-being (β = 0.324, p = 0.005). Conclusion: The findings highlight the central role of self-esteem in adolescent adjustment, suggesting that strengthening relational competences may represent a relevant pathway for promoting mental health. This study deepens the understanding of the interactions between emotional, relational, and behavioral factors in adolescence, offering useful insights for future research and interventions.
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