Experiência de Violência Obstétrica e Sintomatologia de Stress Pós-Traumático Relacionada com o Parto: o papel moderador da autocompaixão

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Data
2026-09
Autores
Roque, Sofia do Carmo Espinho
Pires, Cláudia (Orientadora)
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ISMT
Resumo
A violência obstétrica tem sido reconhecida como uma experiência potencialmente adversa no contexto dos cuidados de saúde reprodutiva, podendo estar associada a consequências psicológicas no período pós-parto. A sintomatologia de stress pós-traumático relacionada com o parto constitui uma dessas possíveis consequências, sobretudo quando a experiência de parto envolve perceção de ameaça, perda de controlo, ausência de consentimento informado ou desrespeito. Paralelamente, a autocompaixão tem sido identificada como um recurso psicológico associado à regulação emocional e ao ajustamento perante experiências difíceis. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre violência obstétrica, sintomatologia de stress pós-traumático relacionada com o parto e autocompaixão, explorando o papel moderador da autocompaixão nesta relação. A amostra foi constituída por 104 mulheres portuguesas, com idades compreendidas entre os 24 e os 47 anos (M = 35.08; DP = 4.67), que tiveram uma experiência de parto nos últimos cinco anos. As participantes preencheram um questionário sociodemográfico e obstétrico, a Obstetric Violence Assessment Scale, a City Birth Trauma Scale e a Compassion Motivation and Action Scales – Self-Compassion Scale. Foram realizadas análises descritivas, correlações de Pearson, correlações parciais, análises de moderação e regressão linear múltipla. Os resultados revelaram associações positivas entre a perceção de violência obstétrica e a sintomatologia de stress pós-traumático relacionada com o parto. Contudo, no modelo ajustado, o efeito direto da violência obstétrica sobre a sintomatologia total não atingiu significância estatística. A autocompaixão total não se associou significativamente à violência obstétrica nem moderou a relação entre violência obstétrica e sintomatologia traumática. A dimensão Tolerância ao Sofrimento apresentou associações negativas com a sintomatologia traumática, embora não se tenha revelado um preditor estatisticamente significativo da sintomatologia total após o controlo do rendimento, do tipo de parto e da presença de diagnóstico de saúde mental. Os resultados sugerem que a violência obstétrica se associa a maior sintomatologia traumática no pós-parto, embora o papel protetor da autocompaixão não tenha sido confirmado neste estudo. | Obstetric violence has been recognized as a potentially adverse experience within reproductive healthcare and may be associated with psychological consequences in the postpartum period. Childbirth-related posttraumatic stress symptoms may represent one of these consequences, particularly when childbirth involves perceived threat, loss of control, lack of informed consent, or disrespectful care. At the same time, self-compassion has been identified as a psychological resource associated with emotion regulation and adjustment to difficult experiences. The present study aimed to examine the relationship between obstetric violence, childbirth-related posttraumatic stress symptoms, and self-compassion, exploring the moderating role of self-compassion in this association. The sample consisted of 104 Portuguese women, aged between 24 and 47 years (M = 35.08; SD = 4.67), who had given birth within the previous five years. Participants completed a sociodemographic and obstetric questionnaire, the Obstetric Violence Assessment Scale, the City Birth Trauma Scale, and the Compassion Motivation and Action Scales – Self-Compassion Scale. Descriptive analyses, Pearson correlations, partial correlations, moderation analyses, and multiple linear regression were conducted. Results showed positive associations between perceived obstetric violence and childbirth-related posttraumatic stress symptoms. However, in the adjusted model, the direct effect of obstetric violence on total posttraumatic stress symptoms did not reach statistical significance. Total self-compassion was not significantly associated with obstetric violence and did not moderate the relationship between obstetric violence and traumatic symptoms. The Distress Tolerance dimension showed negative associations with traumatic symptoms, although it did not emerge as a statistically significant predictor of total childbirth-related posttraumatic stress symptoms after controlling for income, type of birth, and the presence of a mental health diagnosis. These findings suggest that obstetric violence is associated with higher levels of traumatic symptoms in the postpartum period, although the protective role of self-compassion was not confirmed in this study.
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