Empregadas Domésticas Negras e a Covid-19: afetos e desigualdades em tempos pandêmicos

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Data
2026-01-05
Autores
Cirilo, Ana Rebeca Oliveira
Mesquita, Rafael Fernandes de
Bezerra, Ana Keuly Luz
Matos, Fátima Regina Ney
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Editora
UERJ - EdUERJ
Resumo
Mulheres negras integram um grupo historicamente explorado e vivenciam opressões intercruzadas de, pelo menos, gênero e raça. Também são cotidianamente subjugadas em razão de um conjunto de vulnerabilidades, conhecidas no cruzamento como “interseccionalidades”. O objetivo dessa pesquisa é compreender as vivências, na encruzilhada destas intersecções, de mulheres negras empregadas domésticas durante a primeira fase da pandemia da COVID-19. Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, que utilizou a entrevista em profundidade para acessar informações sobre as participantes. O estudo concluiu que apenas o valor oferecido pelo auxílio emergencial, uma política pública implementada durante a pandemia da COVID-19, não foi o suficiente para garantir o isolamento das participantes, posto que tal medida refletiria no padrão de vida das participantes e suas famílias, suscitando a discussão sobre a insegurança laboral inerente à majoritária informalidade das relações laborais referentes ao emprego doméstico. A pesquisa também revelou que, para além de fatores econômicos, outras variáveis também influenciaram na decisão dessas mulheres de permanecerem nos seus postos de trabalho, colocando-as sob constante risco. A vivência dessas mulheres durante o período de lockdown, portanto, foi marcada por intensa instabilidade econômica e familiar. Nesse viés, o estudo, emprega a perspectiva da interseccionalidade para a análise de questões relacionadas ao trabalho doméstico, desvelando histórias de vida de mulheres marcadas pelas manifestações de estruturas sociais que moldaram a formação social brasileira. | Black women are part of a historically exploited group and experience intersecting oppressions, primarily based on gender and race. They are also routinely subjected to a range of vulnerabilities known, in combination, as "intersectionalities." This study aims to understand the lived experiences of Black women domestic workers at the intersection of these factors during the first phase of the COVID-19 pandemic. This is a qualitative study, which used in-depth interviews to access information about the participants. The study concluded that the amount provided by the emergency aid program—implemented as a public policy during the COVID-19 pandemic—was insufficient to ensure participants' isolation. This was due to the fact that such a measure would directly affect their standard of living and that of their families, raising concerns about the labor insecurity inherent in the predominantly informal nature of domestic work. The research also revealed that beyond economic factors, other variables influenced these women’s decisions to remain in their jobs, thereby exposing them to constant risk. Their experiences during the lockdown period were marked by intense economic and family instability. From this perspective, the study adopts the lens of intersectionality to analyze issues related to domestic labor, uncovering life stories of women shaped by the social structures that have historically formed Brazilian society. | Las mujeres negras forman parte de un grupo históricamente explotado y experimentan opresiones cruzadas, basadas principalmente en el género y la raza. También son cotidianamente subyugadas debido a un conjunto de vulnerabilidades conocidas, en su intersección, como “interseccionalidades”. El objetivo de esta investigación es comprender las vivencias de mujeres negras trabajadoras domésticas en la encrucijada de estos factores durante la primera fase de la pandemia de COVID-19. Se trata de un estudio de enfoque cualitativo, que utilizó entrevistas en profundidad para acceder a la información de las participantes. El estudio concluyó que el monto ofrecido por la ayuda de emergencia — una política pública implementada durante la pandemia de COVID-19—no fue suficiente para garantizar el aislamiento de las participantes, ya que tal medida impactaría directamente en el nivel de vida de ellas y sus familias. Esto suscita un debate sobre la inseguridad laboral inherente a la naturaleza predominantemente informal del trabajo doméstico. La investigación también reveló que, más allá de los factores económicos, otras variables influyeron en la decisión de estas mujeres de mantenerse en sus puestos de trabajo, exponiéndolas a un riesgo constante. La experiencia de estas mujeres durante el período de confinamiento, por lo tanto, estuvo marcada por una intensa inestabilidad económica y familiar. En este sentido, el estudio adopta la perspectiva de la interseccionalidad para analizar cuestiones relacionadas con el trabajo doméstico, revelando historias de vida de mujeres atravesadas por las estructuras sociales que han moldeado históricamente la sociedad brasileña.
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Cirilo, A. R. O., Mesquita, R. F. de, Bezerra, A. K. L., & Matos, F. R. N. (2026). Empregadas Domésticas Negras e a Covid-19: afetos e desigualdades em tempos pandêmicos. Revista Sustinere, 13(2), 706–730. https://doi.org/10.12957/sustinere.2025.80173