Publicações Científicas de Psicologia

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    Child Temperament Profiles and Maternal Parenting Practices in Brazilian Mother Child Dyads: a cluster-analytic study with children aged 3 to 11 years
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-27) Reis, Henrique Lima; Lunkes, Stefany; Gama, Marina de Carvalho; Coltro, Beatriz Pires; Paraventi, Larissa; Souza, Carolina Duarte de; Vieira, Mauro Luis
    Background and Aim: Child temperament and parenting are reciprocally linked, yet evidence from Brazilian and Latin American contexts remains limited. This study examined associations between maternal parenting practices and child temperament in Brazilian families with children aged 3 to 11 years. Method: This quantitative, cross-sectional study used a comparative and person-centered analytic approach. A total of 229 mothers completed questionnaires assessing parenting dimensions (Coregulation, Positive Reinforcement Discipline, and Coercion) and child temperament (Surgency/Extraversion, Negative Affectivity, and Effortful Control). Hierarchical cluster analysis was used to derive temperament profiles. Results: No statistically significant sex differences emerged for temperament or maternal parenting dimensions. Hierarchical cluster analysis identified four temperament profiles. Maternal Coregulation and Positive Reinforcement Discipline did not differ significantly across profiles. In contrast, maternal Coercion differed significantly, with a small effect size; the highest Coercion scores occurred in the profile characterized by elevated Negative Affectivity and elevated Effortful Control. Conclusions: The findings are consistent with a transactional, profile-based interpretation of temperament–parenting associations and suggest that specific temperament configurations may be more informative for understanding coercive than supportive maternal practices. The results may inform culturally sensitive and developmentally differentiated parenting interventions in Brazilian contexts. | Contexto e Objetivo: O temperamento infantil e a parentalidade estão reciprocamente vinculados; no entanto, as evidências provenientes dos contextos brasileiro e latino-americano ainda são limitadas. Este estudo examinou associações entre práticas parentais maternas e temperamento infantil em famílias brasileiras com crianças de 3 a 11 anos. Método: Este estudo quantitativo e transversal utilizou uma abordagem analítica comparativa e centrada na pessoa. Ao todo, 229 mães responderam a questionários que avaliaram dimensões das práticas parentais (Corregulação, Disciplina por Reforço Positivo e Coerção) e do temperamento infantil (Surgência/Extroversão, Afetividade Negativa e Controle com Esforço). A análise hierárquica de clusters foi utilizada para derivar perfis de temperamento. Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em função do sexo nas dimensões do temperamento ou das práticas parentais maternas. A análise hierárquica de clusters identificou quatro perfis de temperamento. A Corregulação e a Disciplina por Reforço Positivo maternas não diferiram significativamente entre os perfis. Em contraste, a Coerção materna diferiu significativamente, com tamanho de efeito pequeno; os escores mais elevados de Coerção ocorreram no perfil caracterizado por Afetividade Negativa elevada e Controle com Esforço elevado. Conclusões: Os achados são consistentes com uma interpretação transacional e baseada em perfis das associações entre temperamento e parentalidade, e sugerem que configurações específicas de temperamento podem ser mais informativas para compreender práticas maternas coercitivas do que práticas maternas de suporte. Os resultados podem subsidiar intervenções parentais culturalmente sensíveis e diferenciadas em termos desenvolvimentais nos contextos brasileiros.
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    LGBTQIA+ Inclusive Workplace Climate in Portugal: sexual minorities employees’ perspectives
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2025-11-30) Teixeira, Iara; Alckmin-Carvalho, Felipe; Pereira, Henrique
    Background: Despite growing efforts to promote workplace diversity, many LGBTQIA+ employees still face discrimination, exclusion, and challenges in fully expressing their identities at work. The literature indicates that perceptions of inclusive organizational climate are closely linked to LGBTQIA+ employees’ well-being, job satisfaction, and engagement. Objective: To examine perceptions of LGBTQIA+ inclusive organizational climate among cisgender sexual minority workers in Portugal, and to test their associations with self-reported workplace discrimination. Method: Seventy-nine cisgender, non-heterosexual participants (Mage 31.59, SD = 10.13) completed a questionnaire assessing LGBT–inclusive workplace climate and a sociodemographic questionnaire in a cross-sectional online survey. Data were analyzed using descriptive statistics, Spearman’s rank-order correlations, Mann–Whitney U tests, hierarchical regression, and regression-based moderation analyses. Results: Respondents indicated that their organizations often had formal LGBTQIA+ inclusion policies, but these were often perceived as only partially or inconsistently implemented. Participants reported experiences of discrimination, with women perceiving less discrimination and indicating greater openness about their identities. Perceived supervisor and coworker support were strongly associated with a less discriminatory climate, and identity disclosure/outness was positively associated with perceptions of an inclusive workplace climate. The moderation analysis indicated that the interaction between supervisor support and disclosure was not significant; instead, supervisor support predicted lower discrimination consistently across all levels of disclosure. Conclusions: These findings underscore the critical role of both organizational culture and support mechanisms in fostering an inclusive climate for LGBTQIA+ individuals in the workplace. | Contexto: Apesar dos esforços crescentes para promover a diversidade no local de trabalho, muitos trabalhadores LGBTQIA+ continuam a enfrentar discriminação, exclusão e dificuldade em expressar plenamente as suas identidades no contexto laboral. A literatura indica que as perceções de um clima organizacional inclusivo estão estreitamente associadas ao bem-estar, satisfação profissional e envolvimento das pessoas LGBTQIA+ no trabalho. Objetivo: Examinar as perceções do clima organizacional inclusivo para pessoas LGBTQIA+ entre trabalhadores cisgénero pertencentes a minorias sexuais em Portugal e testar as suas associações com a discriminação autorrelatada. Métodos: Setenta e nove participantes cisgénero não heterossexuais (Midade 31,59, DP = 10,13) completaram um questionário de avaliação do clima organizacional inclusivo para pessoas LGBT e um questionário sociodemográfico, num inquérito online de natureza transversal. Os dados foram analisados recorrendo a estatísticas descritivas, correlações de postos de Spearman, teste U de Mann-Whitney, regressão hierárquica e análise de moderação baseada na regressão. Resultados: Os participantes indicaram que as suas organizações dispunham frequentemente de políticas formais de inclusão LGBTQIA+, embora estas fossem muitas vezes percecionadas como apenas parcialmente ou de forma inconsistente implementadas. Foram reportadas experiências de discriminação, sendo que as mulheres percecionaram menos discriminação e indicaram maior abertura relativamente às suas identidades. O suporte percecionado por parte de supervisores e colegas associou-se fortemente a um clima menos discriminatório, e a divulgação/assunção da identidade (outness) associou-se positivamente a perceções de um clima organizacional inclusivo. A análise de moderação indicou que a interação entre suporte do supervisor e divulgação não foi significativa; em vez disso, o suporte do supervisor previu níveis mais baixos de discriminação de forma consistente em todos os níveis de divulgação. Conclusões: Esses resultados destacam o papel crítico da cultura organizacional e dos mecanismos de suporte na promoção de um clima inclusivo para indivíduos LGBTQIA+ no contexto laboral.
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    Propriedades Psicométricas da Versão Portuguesa do European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) em Estudantes de Enfermagem
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-21) Monteiro, Patrícia; Rodrigues, Mariana; Rosa, Amorim; Loureiro, Luís Manuel
    Contexto: A literacia em saúde constitui um determinante social de saúde e uma prioridade de saúde pública, exigindo uma mensuração credível, rigorosa e adequada aos contextos. Objetivo: Avaliar as propriedades psicométricas — validade estrutural, fiabilidade, validade convergente e validade discriminante — da versão portuguesa do European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) numa amostra de estudantes de enfermagem. Métodos: Realizou-se um estudo metodológico com uma amostra de 476 estudantes de licenciatura em Enfermagem de uma instituição de ensino superior da região Centro de Portugal continental. Os dados foram recolhidos presencialmente, em sala de aula, através da plataforma Google Forms, após consentimento informado eletrónico. Resultados: A análise fatorial exploratória revelou uma solução de três fatores que difere da estrutura teórica original, sugerindo uma reconfiguração empírica dos domínios da literacia em saúde nesta amostra. As análises fatoriais confirmatórias indicaram que os modelos de três fatores correlacionados (de derivação teórica e empírica) apresentaram ajustamento superior ao do modelo unifatorial. Todos os modelos evidenciaram fiabilidade muito satisfatória. A validade convergente revelou-se a principal fragilidade, ao passo que a validade discriminante, avaliada pelo critério HTMT, foi satisfatória em ambos os modelos de três fatores. Conclusões: Os resultados sustentam a multidimensionalidade da literacia em saúde, com os modelos de três fatores a apresentarem melhor ajustamento do que o modelo unifatorial. No contexto do ensino superior português, as dimensões da literacia em saúde parecem evidenciar forte integração funcional e conceptual, sem comprometer a distinção empírica dos seus construtos. | Context: Health literacy is a social determinant of health and a public health priority, requiring credible, rigorous, and context appropriate measurement. Objective: To examine the psychometric properties — structural validity, reliability, convergent validity, and discriminant validity — of the Portuguese version of the European Health Literacy Survey Questionnaire (HLS-EU-PT-Q16) in a sample of nursing students. Method: A methodological study was conducted with 476 undergraduate nursing students from a higher education institution in the central region of mainland Portugal. Data were collected in person in classrooms using Google Forms, with electronic informed consent. Results: Exploratory factor analysis yielded a three-factor solution that diverged from the original theoretical structure, suggesting an empirical reconfiguration of the health literacy domains in this sample. Confirmatory factor analyses indicated that the correlated three-factor models (both theoretically and empirically derived) provided a superior fit to the data relative to the unifactorial model. All models displayed highly satisfactory reliability. Convergent validity emerged as the main psychometric weakness, whereas discriminant validity, assessed through the HTMT criterion, was satisfactory in both three-factor models. Conclusions: The findings support the multidimensionality of health literacy, with the three-factor models outperforming the unifactorial model. In the Portuguese higher education context, the dimensions of health literacy appear to display strong functional and conceptual integration without compromising the empirical independence of the underlying constructs.
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    Velocidade como Indicador de Esforço de Resposta no Comportamento Humano: um breve relato
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2025-11-30) Luiz, André Connor de Méo; Tsutsumi, Myenne Mieko Ayres; Neto, José Martins da Silva; Santos, Julia Rocker dos; Lazaniri, Kauane de Kássia Mussett; Lemos, Luis Humbert Andrade de; Terrin, Rafael Tresso
    Contexto: O esforço de resposta é uma dimensão central na análise do comportamento e pode modular respostas em contextos de segurança, saúde e sustentabilidade. Embora o esforço de resposta tenha sido amplamente estudado por meio de manipulações de exigências de razão e de força, pouco se sabe sobre os efeitos da velocidade da resposta. Objetivo: Examinar os efeitos de diferentes requisitos de velocidade, enquanto manipulações de esforço de resposta, sobre a taxa de respostas em humanos. Métodos: Seis estudantes de graduação participaram de um delineamento A–B–A, em uma tarefa computadorizada de destruição de “fontes de poluição”, sob esquema múltiplo de intervalo variável (VI 15 s / VI 30 s). O requisito de velocidade (20%, 40%, 80% ou 100% do comprimento da tela/segundo) variou entre sessões e retornou ao valor inicial na fase final. Resultados: De forma geral, aumentos no requisito de velocidade acompanharam-se por reduções nas taxas de resposta, sem efeitos consistentes da taxa de reforço entre os componentes. Padrões assimétricos entre grupos com aumento versus redução de velocidade e diferenças individuais sugeriram variação na sensibilidade ao esforço. Conclusões: Os achados sugerem que a velocidade funciona como uma dimensão de esforço de resposta com efeitos predominantemente supressivos sobre o responder, oferecendo um parâmetro adicional, potencialmente útil em intervenções comportamentais não punitivas em contextos clínicos, educacionais e organizacionais. | Background: Response effort is a central dimension in behavior analysis and can modulate responding in contexts related to safety, health, and sustainability. Although response effort has been extensively studied through manipulations of ratio and force requirements, little is known about the effects of response speed. Objective: To examine the effects of different speed requirements, as manipulations of response effort, on human response rates. Method: Six undergraduate students participated in an A–B–A single case design using a computer-based task involving the destruction of “pollution sources,” under a multiple variable-interval schedule (VI 15 s / VI 30 s). The speed requirement (20%, 40%, 80%, or 100% of screen length per second) varied across sessions and returned to the initial value in the final phase. Results: In general, increases in the speed requirement were accompanied by reductions in response rates, with no consistent effects of reinforcement rate between components. Asymmetrical patterns between groups exposed to increasing versus decreasing speed, as well as individual differences, suggested variability in sensitivity to effort. Conclusions: The findings suggest that speed functions as a dimension of response effort with predominantly suppressive effects on responding, offering an additional parameter that may be useful in nonpunitive behavioral interventions in clinical, educational, and organizational contexts.
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    Spiritual/religious Coping and Cognitive Function of Urban-rural Brazilian Community-dwelling Older Adults
    (Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2025-11-30) Vitorino, Luciano Magalhães; Low, Gail; Campos, Mariella Albino; Costa, Victória Pina; Santos, Gerson de Souza; França, Alex Bacadini; Vianna, Lucila Amaral Carneiro; Lemes, Alana Azevedo; Alckmin-Carvalho, Felipe; Guerra, Zaqueline Fernandes
    Background and Aim: We compared cognitive function among Brazilian older adults residing in rural versus urban settings and examined whether positive and negative spiritual/religious coping (SRC) were associated with cognitive outcomes. Method: We conducted a comparative cross-sectional analysis of two independent samples: older adults residing in rural areas of two small towns in Minas Gerais (N = 326), and older adults from the city of São Paulo (N = 400). Measures included the Mini-Mental State Examination (MMSE), the Brief Spiritual/Religious Coping Scale, and a sociodemographic/health questionnaire. Results: After controlling for sociodemographic and health covariates, rural residents had significantly higher MMSE scores than urban residents (mean difference = 7.43, p <.001). Among rural participants, higher positive SRC was associated with better cognitive function (β = 1.6; p < .001). Among urban participants, higher negative SRC was associated with worse cognitive outcomes (β = −0.39; p = .021). Conclusions: In Brazil, rural residence may be associated with better late-life cognitive function. Positive SRC may relate to cognitive benefits, whereas negative SRC may be linked to poorer cognition—particularly in urban contexts. Findings may guide health professionals in addressing SRC with older adults, especially in large urban centers.| Contexto e Objetivo: Comparamos a função cognitiva de pessoas idosas brasileiras residentes em áreas rurais versus urbanas e examinamos se o coping espiritual/religioso (CER), positivo e negativo, se associava a desfechos cognitivos. Métodos: Realizamos um estudo transversal comparativo com duas amostras independentes: pessoas idosas residentes em áreas rurais de dois municípios de pequena dimensão em Minas Gerais, Brasil (N = 326) e pessoas idosas da cidade de São Paulo (N = 400). As medidas incluíram o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), a Escala Breve de Coping Espiritual/Religioso e um questionário sociodemográfico e de saúde. Resultados: Após ajustamento por covariáveis sociodemográficas e de saúde, os residentes rurais apresentaram pontuações significativamente mais altas no MEEM, significativamente superiores às dos residentes urbanos (diferença média = 7,43, p < 0,001). Entre participantes rurais, maior CER positivo associou-se a melhor função cognitiva (β = 1,6; p < 0,001). Entre participantes urbanos, maior CER negativo associou-se a piores desfechos cognitivos (β = −0,39; p < 0,05). Conclusões: No Brasil, residir em meio rural pode associar-se a melhor função cognitiva na idade avançada. O CER positivo pode conferir benefícios cognitivos, ao passo que o CER negativo pode relacionar-se a pior cognição—particularmente em contextos urbanos. Esses resultados podem orientar a atuação de profissionais de saúde na abordagem do CER entre pessoas idosas, sobretudo em grandes centros urbanos.