Estudo de Validação da Escala de Pensamento Dialético (EPD) para a População Portuguesa

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Data
2025
Autores
Antunes, Sofia Maria Coelho
Carreiras, Diogo (Orientador)
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Editora
ISMT
Resumo
Objetivos: O pensamento dialético refere-se à capacidade de reconhecer e integrar ideias aparentemente opostas, estando associado a uma maior flexibilidade e bem-estar psicológicos e menor sintomatologia psicopatológica. Apesar de central na Terapia Comportamental Dialética (DBT), os instrumentos que o avaliam, especialmente em Portugal, são ainda escassos. Este estudo visa validar a Escala de Pensamento Dialético (EPD) para a população portuguesa e analisar a sua relação com a flexibilidade psicológica, sintomas psicopatológicos e qualidade de vida psicológica. Metodologia: Participaram neste estudo 328 pessoas de nacionalidade portuguesa, com idades compreendidas entre os 18 e os 69 anos (M = 30.9; DP = 11.2). A amostra foi recolhida online através de um protocolo constituído por questionários de autorresposta. As propriedades psicométricas da EPD foram avaliadas através de Análise Fatorial Confirmatória (AFC), incluindo um modelo de segunda ordem, análise da consistência interna, validade convergente, estabilidade temporal e invariância do modelo. Os dados foram analisados no JASP (versão 0.19.3). Resultados: Foi testado o modelo original da EPD, constituído por cinco itens, divididos em dois fatores, que apresentou um ajustamento adequado (CFI = .98; TLI = .95; SRMR = .03; RMSEA = .10). O modelo de segunda ordem também apresentou um ajustamento aceitável (CFI = .98; TLI = .92; SRMR = .03: RMSEA = .12). A consistência interna da escala total foi boa (α = .85) e as subescalas “ambos os lados” (α = .72) e “ambos os lados em mim” (α = .77) também apresentaram um valor de consistência interna razoável. A validade convergente foi conferida com correlações significativas entre a EPD e os restantes construtos. A estabilidade temporal, analisada através das respostas à EPD em dois momentos de avaliação com quatro semanas de intervalo, revelou-se razoável. Pessoas com mestrado ou superior apresentaram níveis mais elevados de pensamento dialético, sem diferenças significativas por idade, género ou nível socioeconómico. Conclusão: A EPD mostrou-se válida para avaliar o pensamento dialético, sendo um instrumento promissor para investigação e intervenção, com resultados alinhados com a literatura atual. | Objectives: Dialectical thinking refers to the ability to recognize and integrate seemingly opposing ideas, and is associated with greater psychological flexibility and well-being, as well as lower psychopathological symptomatology. Although it is a central concept in Dialectical Behavior Therapy (DBT), instruments that assess it, especially in Portugal, remain scarce. This study aims to validate the Dialectical Thinking Scale (DTS) for the Portuguese population and to examine its relationship with psychological flexibility, psychopathological symptoms, and psychological quality of life. Method: A total of 328 portuguese participants aged between 18 and 69 years (M = 30.9; SD = 11.2) took part in the study. The sample was collected online through a protocol composed of self-report questionnaires. The psychometric properties of the DTS were assessed through Confirmatory Factor Analysis (CFA), including a second-order model, analysis of internal consistency, convergent validity, test-retest reliability, and model invariance. Data were analyzed using JASP (version 0.19.3). Results: The original model of the DTS, consisting of five items divided into two factors, showed good fit indices (CFI = .98; TLI = .95; SRMR = .03; RMSEA = .10). The second order model also demonstrated acceptable fit (CFI = .98; TLI = .92; SRMR = .03; RMSEA = .12). The internal consistency of the total scale was good (α = .85), and the subscales “both sides” (α = .72) and “both sides in me” (α = .77) also showed reasonable internal consistency. Convergent validity was confirmed through significant correlations between the DTS and other constructs. Test-retest reliability, assessed through responses to the DTS at two time points four weeks apart, was found to be reasonable. Participants with a master’s degree or higher showed higher levels of dialectical thinking, with no significant differences by age, gender, or socioeconomic status. Conclusion: The DTS proved to be a valid instrument for assessing dialectical thinking, showing promise for research and intervention, with findings consistent with current literature.
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