Traços de Personalidade e Sintomatologia Psicopatológica em Consumidores de Substâncias Psicoativas

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Data
2025
Autores
Abreu, Carolina Martins Cameira Miranda
Lemos, Laura (Orientadora)
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Editora
ISMT
Resumo
Objetivo: Este estudo teve como objetivo a caracterização sociodemográfica, clínica e psicossocial de uma amostra da população consumidora de substâncias psicoativas que recorre a instituições de apoio e intervenção. Foi também objetivo, explorar a relação entre os traços de personalidade e a presença de sintomatologia psicopatológica nesta população. Pretendeu-se ainda analisar o impacto da solidão subjetiva e dos traços de personalidade, nomeadamente o neuroticismo, na sintomatologia psicopatológica. Método: A amostra foi constituída por 98 indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 68 anos (M = 39,89 DP = 14,41) com predominância de indivíduos na faixa etária dos 53 ou mais anos (n = 25; 25,5%). Entre os participantes, 58 eram do sexo masculino (59,2%) 40 do sexo feminino (40,8%). Todos foram avaliados com o questionário sociodemográfico, com quatro questões sobre a solidão e bem-estar, com o Brief Symptom Inventory (BSI) e com o Eysenck Personality Questionnaire – Revised (EPQ-R). Resultados: Os resultados deste estudo indicaram que o grupo de substâncias mais consumido foi composto por canábis, cocaína e estimulantes. O primeiro consumo ocorreu maioritariamente na adolescência, com a companhia de amigos e o padrão de consumo mais frequente foi o uso diário. A amostra apresentou níveis elevados de neuroticismo, psicoticismo e de sintomatologia psicopatológica face à população geral, e níveis mais baixos de extroversão. Nas dimensões da personalidade, o neuroticismo associou-se positivamente a todos os domínios da sintomatologia psicopatológica, à perceção da interferência dos consumos no bem-estar e na relação com os outros e negativamente com a satisfação com a vida. Já a extroversão associou-se negativamente com a somatização, sintomatologia depressiva e solidão e positivamente com a satisfação com a vida. O psicoticismo relacionou-se positivamente com a ansiedade. Por fim, o traço de personalidade neuroticismo e de forma mais expressiva a solidão, revelaram impacto significativo na sintomatologia psicopatológica. Conclusão: A solidão subjetiva e o neuroticismo mostraram-se fatores de vulnerabilidade com impacto significativo na sintomatologia psicopatológica, sendo a solidão o principal preditor. A extroversão associou-se a menor somatização, sintomatologia depressiva e solidão subjetiva, apresentando-se como um fator protetor. | Objective: This study aimed to characterize the sociodemographic, clinical, and psychosocial characteristics of a sample of the population that uses psychoactive substances and seeks support and intervention from institutions. Another objective was to explore the relationship between personality traits and the presence of psychopathological symptoms in this population. The study also sought to analyze the impact of subjective loneliness and personality traits, particularly neuroticism, on psychopathological symptoms. Method: The sample consisted of 98 individuals aged between 18 and 68 years (M = 39.89 SD = 14.41), with a predominance of individuals aged 53 years or older (n = 25; 25.5%). Among the participants, 58 were male (59.2%) and 40 were female (40.8%). All were assessed using a sociodemographic questionnaire, with four questions on loneliness and well-being, the Brief Symptom Inventory (BSI), and the Eysenck Personality Questionnaire – Revised (EPQ-R). Results: The results of this study indicated that the most commonly used substances were cannabis, cocaine, and stimulants. First use occurred mainly during adolescence, in the company of friends, and the most frequent pattern of use was daily use. The sample showed high levels of neuroticism, psychoticism, and psychopathological symptoms compared to the general population, and lower levels of extroversion. In terms of personality dimensions, neuroticism was positively associated with all domains of psychopathological symptoms, with the perception of the interference of consumption in well-being and in relationships with others, and negatively with life satisfaction. Extroversion was negatively associated with somatization, depressive symptoms, and loneliness, and positively associated with life satisfaction. Psychoticism was positively associated with anxiety. Finally, the personality trait of neuroticism and, more significantly, loneliness, had a significant impact on psychopathological symptoms. Conclusion: Subjective loneliness and neuroticism were found to be vulnerability factors with a significant impact on psychopathological symptoms, with loneliness being the main predictor. Extroversion was associated with lower somatization, depressive symptoms, and subjective loneliness, presenting itself as a protective factor.
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