Redes Sociais e Tolerância à Infidelidade no Mundo Contemporâneo: relação com a perceção da qualidade relacional e adição às redes sociais

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Data
2025-10
Autores
Ribeiro, Maria Teresa Vilaça Ramos
Carvalho, Joana (Orientadora)
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Editora
ISMT
Resumo
Objetivos: Considerando a escassez de investigação sobre a tolerância à infidelidade, mostra-se pertinente aprofundar este tema face às mudanças socioculturais que transformam as conceções do compromisso, fidelidade e qualidade relacional, assim como à crescente influência das tecnologias digitais e das redes sociais nas relações amorosas. O presente estudo procurou analisar de que forma a tolerância à infidelidade – global e nas suas dimensões sexual e emocional – se associa a um conjunto de variáveis sociodemográficas e relacionais (e.g., idade, religiosidade, duração da relação amorosa). Métodos: Este estudo assumiu um carácter quantitativo e transversal, com 310 participantes portugueses ou residentes em Portugal (sexo feminino, n = 232; 74,8%), com idades entre 18 e 77 anos, em relações amorosas e utilizadores de redes sociais. A recolha de dados foi realizada online, recorrendo a um protocolo composto por um questionário sociodemográfico e de dados complementares, e três instrumentos de autorrelato: a Escala de Tolerância à Infidelidade, para avaliar a disposição de manter ou terminar a relação amorosa face à infidelidade do(a) parceiro(a); o Inventário dos Componentes da Qualidade Relacional Percebida (ICQRP), para medir a qualidade relacional percebida em relações românticas e o Internet Addiction Test adaptado para redes sociais, para avaliar o grau de envolvimento com estas plataformas. Resultados: Os resultados evidenciaram diferenças significativas em função do sexo, verificando-se que o sexo feminino apresentou menor tolerância à infidelidade, na dimensão emocional. A idade revelou associações significativas tanto com a tolerância global como com as suas dimensões, indicando que esta tende a aumentar progressivamente com a idade. Por outro lado, a religiosidade apresentou um efeito paradoxal: indivíduos religiosos registaram maior tolerância à infidelidade global, mas menor tolerância nas dimensões sexual e emocional. Conclusões: Esta investigação realça a importância de explorar variáveis sociodemográficas, como a idade, o sexo biológico e a religiosidade, na análise da tolerância à infidelidade, contribuindo para o avanço da literatura nesta área. Apesar da significância reduzida dos resultados, o estudo constitui um ponto de referência útil para futuras investigações e para a prática clínica em terapia de casal. | Purpose: Considering the scarcity of research on tolerance toward infidelity, it is relevant to delve deeper into this topic in light of the sociocultural changes that transform conceptions of commitment, fidelity, and relational quality, as well as the growing influence of digital technologies and social media on romantic relationships. The present study sought to analyze how tolerance toward infidelity – both overall and in its sexual and emotional dimensions – is associated with a set of sociodemographic and relational variables (e.g., age, religiosity, duration of the romantic relationship). Methods: This study adopted a quantitative and cross-sectional approach, with 310 Portuguese participants or residents in Portugal (female, n = 232; 74.8%), aged between 18 and 77 years, in romantic relationships and users of social networks. Data collection was conducted online using a protocol consisting of a sociodemographic and supplementary data questionnaire, and three self-report instruments: the Infidelity Tolerance Scale, to assess the willingness to maintain or end the romantic relationship in the face of partner infidelity; the Measurement of Perceived Relationship Quality Components (PRQC), to measure perceived relational quality in romantic relationships; and the Internet Addiction Test adapted to social media, to evaluate the degree of engagement with these platforms. Results: The results revealed significant differences based on sex, showing that females exhibited lower tolerance for infidelity in the emotional dimension. Age showed significant associations with both overall tolerance and its dimensions, indicating that it tends to increase progressively with age. On the other hand, religiosity presented a paradoxical effect: religious individuals showed higher tolerance for overall infidelity, but lower tolerance in the sexual and emotional dimensions. Conclusions: This research highlights the importance of exploring sociodemographic variables, such as age, biological sex, and religiosity, in the analysis of tolerance to infidelity, contributing to the advancement of the literature in this area. Despite the limited significance of the results, the study serves as a useful reference point for future research and for clinical practice in couples therapy.
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